Teste de Usabilidade – Quando meu software é aparentemente bom para o cliente?

De acordo com a ISO/IEC 9126, a usabilidade se diz à capacidade de um produto ser compreendido, integro, operacional e ser atrativo ao usuário em condições especificas de utilização.

A Usabilidade é um conceito que nos permite avaliar fatores que impactem em um sistema, tais como:

  • Facilidade na utilização do Sistema: Consigo mexer no sistema sem dificuldades?
  • Facilidade na memorização de comandos: Eu como usuário, consigo lembrar com facilidade onde salvo um contrato.
  • Segurança do uso: O sistema previne erros? E se prevenir, quando eu “fizer” algo errado no sistema ele aponta onde é o local e a causa do erro?
  • Satisfação do usuário: O sistema tem uma interface agradável, de fácil utilização?

A interface de um sistema com uma boa usabilidade faz com que usuário que está utilizando se torne mais produtivo, visto que o mesmo não precisa parar o tempo todo o que está fazendo no sistema para buscar ajuda de como utilizá-lo.  A maior parte dos sistemas conta com um painel de ajuda, porém, muitas vezes, para algo específico, essas ajudas não atendem e obrigam o usuário buscar ajuda “externa”, podendo ser um colega de trabalho, por exemplo. As causas podem ser erros de usabilidade em um sistema que pode não conter uma interface amigável por muitas vezes confundindo quem está o utilizado.

Logo, podemos dizer que sistemas com uma baixa usabilidade podem gerar vários tipos de incômodos e problemas para quem o utiliza, entre eles estão:

  • Quando o software/sistema tem problemas de usabilidade o usuário tende a ter constante dúvidas;
  • Por muitas vezes o usuário perde a vontade de explorar o sistema;
  • Sistemas com problemas de usabilidade tendem a confundir usuários;
  • Sistemas com problemas de usabilidade induzem usuários ao erro;
  • Tendem a gerar insatisfação ao usuário;
  • a produtividade de quem está utilizando o sistema diminui.

 De acordo com Walter Cybis, sistemas com baixa usabilidade sobrecarregam o usuário em três pontos:

  1. Sobrecarga cognitiva: Ocorre quando o usuário não reconhece dentro da interface do sistema modos de como executar uma atividade com eficácia
  2. Sobrecarga perceptiva: Ocorre quando o usuário encontra dificuldades na leitura de itens na tela do sistema, algumas da possíveis causas podem ser: baixo contraste, cores desconexas, fontes inadequadas, ou algo relacionado que tornam a leitura da tela cansativa e complicada.
  3. Sobrecarga Física: Ocorre quando alguma função do sistema é prejudicada por algum mecanismo, como por exemplo, um atalho no teclado que seja de difícil acionamento.
As vantagens obtidas quando é dado uma atenção maior a usabilidade dentro do desenvolvimento de um sistema são:
  • Os custos do desenvolvimento são menores, ou seja, pensar em usabilidade do produto em sua fase inicial, obtendo uma boa visão de como o sistema irá se comportar quando ocorrer alguma interação com o usuário, antecipa possíveis problemas e os tornam mais fáceis em serem corrigidos. Não esperar a insatisfação do cliente evita a perda de confiança no sistema.
  • O cuidado que se tem com a usabilidade no ciclo de desenvolvimento de um sistema faz com que o tempo de teste diminua e que consequentemente tenhamos a qualidade do produto controlada.
  • Naturalmente um cliente satisfeito com a usabilidade de um sistema, irá querer utilizá-lo sempre.
Diferente do teste comum, que é caracterizado pelo ato de detectar problemas em um sistema, o teste de usabilidade é um método que consiste em compreender melhor como se dará a interação do usuário com o sistema.

Um dos modos de identificarmos problemas na usabilidade de um sistema é realizando o teste de heurística, que consiste em resolver problemas a partir de experiências práticas, observação e criatividade.

Para que a análise heurística seja eficaz um especialista em UX (User Experience) examina a interface do sistema baseando-se em uma lista de princípios de usabilidade escolhidas antecipadamente (definida heurísticas).

Se estamos trabalhando na criação de uma tela para um determinado sistema, por exemplo, podemos realizar uma análise dessa tela no início do projeto para entendermos e apontarmos onde estão os problemas de usabilidade e consequentemente corrigir essas “falhas” não gerando assim retrabalho.

Para realizarmos uma análise heurística podemos adequar alguns pontos de acordo com a necessidade do projeto. Mas no geral a análise segue a seguinte ordem:

  1. Entendendo o usuário: Definir publico alvo e o objetivo ao interagir com o sistema a ser desenvolvido. O especialista que irá realizar uma análise precisa projetar em mente e buscar aproximar ao máximo o ponto de vista do usuário, buscando saber quais são seus objetivos e o problemas que ele quer resolver. Em uma sprint, o P.O tem a visão do usuário, então no escopo dado há muitos requisitos e especificações do que o cliente precisa. Entender o que o usuário faz em um determinado sistema pode ajudar a definir o escopo da análise. Há casos que o sistema torna-se tão complexo que precisamos priorizar fluxos, telas e tarefas mais importantes realizadas no sistema.
  1. Definindo as heurísticas da usabilidade: Seguindo os critérios de Jakob Nielsen, a heuristica da usabilidade pode ser avaliada seguindo 10 critérios. Citarei 3 aqui para não ficar muito extenso, mas o restante você pode consultar clicando aqui:
  • Correspondência entre o Sistema e o Mundo real: O sistema deve falar o idioma do usuário, com palavras, conceitos e frases de fácil entendimento para o usuário.
  • Feedback: O sistema sempre deve manter os usuários informados sobre o que está acontecendo, com respostas apropriadas e dentro de um tempo razoável.
  • Mensagem de erro clara: As mensagens de erros devem ser expressas de forma em que o usuário entenda sem gerar outras dúvidas, o sistema precisa indicar precisamente o problema e sugerir uma solução ou um norte de resolução do mesmo de forma construtiva.
  1. Avaliando a experiência: Nesta etapa, realizaremos uma análise da experiência, ou seja, navegaremos pelo sistema como um usuário navegaria, tentando completar diferentes atividades dentro do sistema e passando por diferentes fluxos que no inicio do projeto foram definidos como prioritários para análise. A medida que vamos passando por esses fluxos, tiramos snapshots e anotamos problemas que encontramos nesse meio tempo. Encontrado esses problemas, documentamos e definimos a gravidade deles (Grave > Alta > Média > Baixa > Boa prática) para termos uma garantia de que conseguiremos priorizar as correções futuramente.
  1. Reportando resultados: Avaliando a experiência e levantados os problemas, reportamos o problema para o responsável do produto e para o restante do time, explicando quais os critérios usados para a análise heurística, quem foi o responsável/especialista que analisou a experiência.
  1. Combinando heurística com outros métodos de avaliação de usabilidade: A análise heurística é um modo eficaz de encontrar problemas básicos de usabilidade dentro de um sistema. Podemos ter a análise heurística para testarmos sistemas porém podemos combinar com outros tipos de avaliações, como por exemplo, testar com usuários reais, que possuam necessidade real em utilizar o sistema. A maioria dos problemas de usabilidade só aparecem quando o sistema é colocado a prova de um contexto “real”.

O mínimo que um usuário espera é um sistema que funcione sem muita complexidade, limpo e que tenha o mínimo de falhas. O usuário não adota um sistema pelo código implementado, ou pela interface, mas sim pela necessidade em utilizar o mesmo, por isso, todo o processo de criação deve ser feito com a experiência em mente, pensando no “sentimento” do usuário ao passar pelos fluxos do sistema objetivando-se que este tenha uma boa experiência no final de sua interação. Experiência é todo o produto e não partes. Experiência é vermos o sistema ou produto e nos sentirmos confortáveis em utilizar, experiência do usuário é não se tratar somente de implementações no software.

Referências:

http://www.qualister.com.br/blog/introducao-a-testes-de-usabilidade
http://www.designinterativo.etc.br/user-experience/o-que-e-e-como-fazer-uma-avaliacao-heuristica
http://www.tidbits.com.br/as-10-heuristicas-de-usabilidade-do-nielsen

Por RAIANY DE ARAÚJO SILVA

Manauense morando há tempo suficiente para considerar Campinas como sua cidade do coração, iniciante e desde então buscando se aprofundar mais na área de Testes de Software.

Postado em: 01 de novembro de 2017

Confira outros artigos do nosso blog

Falando sobre Teste de Intrusão (ou PenTest)

03 de abril de 2018

Jacqueline Costa

Protractor – Testes automáticos end-to-end para aplicações em Angular

07 de dezembro de 2017

Jacqueline Costa

Testes em Node.js

04 de dezembro de 2017

Alan Cesar Elias

Automatizando Testes de Contrato API REST – Parte 1

30 de novembro de 2017

Monise Costa

Deixe seu comentário